No dia 14 de março decorreu, no auditório da
escola, uma palestra subordinada ao tema Química
e “nanocoisa” proferida pelo Professor Doutor João
Carlos de Matos Paiva, Professor Associado no Departamento de Química e
Bioquímica e membro da Unidade de Ensino das Ciências da Faculdade de Ciências
da Universidade do Porto. O Professor Doutor João Paiva é também coordenador do
núcleo de "Cultura Científica, Multimédia e Educação" do Centro de
Investigação em Química da Universidade do Porto e diretor do Doutoramento em Ensino e Divulgação das Ciências.
É autor de cerca de trinta livros, uma vintena dos quais são manuais escolares. Foi neste contexto que a palestra, destinada aos alunos de Física e Química A do 10º ano, teve o apoio da Texto Editores.
O aluno Francisco Cordeiro, do 10º CT2, fez uma breve
apresentação ao tema da palestra que passamos a citar: O químico norte-americano Richard Lmalley, um dos três galardoados
com o Prémio Nobel da Química de 1996 pela descoberta
dos fulerenos, moléculas que deram origem à nanotecnologia, afirmou, em 1999, para descrever esta nova área do conhecimento: "estamos
prestes a ser capazes de construir coisas que funcionam à mais pequena escala
possível. Estas pequenas nanocoisas e a tecnologia que as constrói e manipula -
a nanotecnologia - irão revolucionar a indústria e as nossas vidas." É
sobre esta revolução que nos vai falar o Professor Doutor João Paiva.
Numa interativa palestra o Professor João Paiva
falou-nos do grafeno e suas aplicações, de têxteis funcionais, novos
medicamentos e novos meios de diagnóstico, lípidos e nanoestruturas,
bionanorobôs e tratamento do cancro, Química teórica/funcional e também de
liberdade, ética e ciência.
O Professor Doutor João Paiva
Interessa-se por outras áreas e respetivas pontes com a ciência,
nomeadamente pela poesia, filosofia, religião, divulgação, sociologia e
educação. Assim sendo, no final da palestra as alunas Inês Fancaria e
Margarida Lopes, do 10º CT2, agradeceram a presença do professor na nossa
escola através da leitura de um conjunto de poemas, de José Tolentino Mendonça,
retirados do livro A Papoila e o Monge.
Trata-se de poemas que, com apenas três curtos
versos, revelam grande densidade, tal como o haiku
Japonês. Poderemos quase afirmar que se tratam de “nanopoemas”.
Mesmo que faça frio
não aproximes do fogo
um coração de neve
Em Deus tudo é Deus
uma simples folha de erva
não é menor do que o infinito
Quando se extinguiu
o vermelho da papoila
o jardim ficou vazio
A lua e o lago
agora tão próximos
jamais se tocarão
O gafanhoto
fecha as asas
em pleno voo
Ao longo do rio
os que tombaram da embarcação
riem-se dos que tombam
Estas folhas que estremecem na tarde
não sabem que dançam
à roda do Universo
Depois de uma tarde a tratar do jardim
a nossa vida
importa menos
Agora só resta
tornares-te
tornares-te
o poema
Mendonça, J. T. (2013). A Papoila e Monge.
Porto: Assírio & Alvim.
Agradecemos à professora de
Português do 10º CT2, professora Ana Francisco, o apoio que nos deu,
nomeadamente no que diz respeito ao trabalho que realizou com os alunos na
preparação das leituras efetuadas.
Obrigado Professor Doutor João Paiva!

